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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Superman - Terra Um - Por J. Michael Straczynski


Legenda: O Homem de Aço para uma nova geração. Você apenas acha que conhece a história...
 

Sinopse:

Clark Kent é diferente. Ele pode voar, ver através das paredes e incinerar objetos com seu olhar. Ele é um deus entre mortais. Mas está sozinho e sem um propósito.

Como a maioria dos jovens de vinte e poucos anos, não sabe o que quer da vida. Pode escolher trabalhar com qualquer coisa: esporte, ciência, finanças ou dentro da mídia. O céu é o limite... se ele esconder seu poder e sua verdadeira identidade do resto do mundo.

Mas quando naves de outros planetas escurecem nosso céu e ameaçam nossa existência na Terra, Clark precisará tomar a decisão mais importante de sua vida: revelar-se ao mundo, sacrificando sua chance de ter uma vida normal... ou deixar todo o planeta a sua volta morrer.


Título: Superman – Terra Um
Roteiro: J. Michael Straczynski
Arte: Shane Davis
Autores Originais: Jerry Siegel e Joe Shuster
Editora: DC Comics – Panini Books





Eu li, se você não...

O Superman é um personagem de HQ mundialmente famoso, ouso até mesmo dizer que o mais conhecido de todos, afinal ele extrapola as esferas dos quadrinhos... Já foram feitos inúmeros filmes, seriados e tirinhas, atingindo um público que vai muito além dos fãs de HQs. Tornou-se um ícone de referencia em diversos sentidos, mas agora resta saber como J. Michael Straczynski e Shane Davis fizeram para reinventar uma história já contada tantas e tantas vezes.


O Homem de Aço já tem pouco mais de seis décadas de história e durante este período o personagem precisou acompanhou a evolução do mundo fora dos quadrinhos. É preciso repaginar os personagens para que estes não fiquem presos ao passado, afinal o que era novo um ano atrás, hoje é ultrapassado.

A tecnologia avança e o que antes era algo futurista se torna comum, a ficção cientifica vira realidade e a moda é diferente a cada estação. (Alguém, por favor, avisa ao Superman que nunca foi moda usar a cueca por cima da calça!) O que resta no final dessas mudanças são os pilares sobre os quais o personagem foi construído, a essência, a índole ou a alma... chame como quiser.

Se eu me expuser ao mundo, se mostrar o que posso fazer... estarei sempre fugindo. Nunca estarei no meio. Estarei sempre de fora, observando. Estarei sozinho. Pior ainda, eu terei escolhido ficar sozinho. Eu não poderia fazer essa escolha antes, mas posso agora. E escolho ser feliz... Ter uma vida, e não era isso que você dizia querer pra mim? Que eu fosse feliz? Só não queria que você achasse que esqueci tudo que me ensinou. Ainda há muito que posso fazer. (...) Dar a mão ao homem comum quando o mundo quiser esmaga-lo. Essas coisas significam agora tanto quanto significavam antes... não vou te decepcionar. Eu juro.
Clark Kent. (pág. 41)

Em Superman – Terra Um, iremos encontrar o Clark Kent de vinte e poucos anos, que saiu de uma cidade pequena para Metrópolis, um jovem como todos os outros que tenta descobrir seu lugar no mundo... o problema é que o mundo dele não é este! Kal-El, nome que os pais biológicos deram ao seu bebê antes envia-lo para Terra, é o único sobrevivente de Krypton... o fim da linha para a raça de um planeta extinto. 

– Ele estará sozinho. Será parecido, mas nunca um deles. 
– Eu sei, Lara. Mas ele será forte. Praticamente indestrutível. E o mais importante... quando já estivermos mortos há muito tempo, ele estará vivo.
 Diálogo Lara e  Jor-El  (pág. 61)
 

Apesar da aparência humana, o Clark é um alienígena, superpoderoso e de inteligência muito mais avançada. E aqui está um dos pontos louváveis explorado nessa HQ, o Superman não é apenas um homem com super-força, seu intelecto está além da compreensão, o personagem também possui uma super-inteligência. Fato que foi esquecido por muitos autores e leitores, porém ressurge nesta nova versão.

Mas quem era Clark Kent antes de se tornar o Superman? Qual era seu objetivo de vida? Este é outro lado mostrado, que particularmente, sempre quis conhecer e vi como ponto positivo no enredo. Por que um jovem com tanto potencial e habilidade nunca usou seus talentos também em benefícios próprios? E não se trata de egoísmo... ninguém chama de egoísta um gênio que tem conhecimento pra salvar milhões, ajudar os outros e ser reconhecido por isso.

Agora temos a chance de ler sobre o mundo de possibilidades profissionais que Clark sentiu o gostinho antes de escolher qual carreira seguir. E o motivo pelo qual optou ser jornalista.

 - Quando você cria um filho grande e forte e ele diz ‘Isso é o que eu queria te dar’... Bem, é legal, mas o que eu quero mesmo ouvir é ‘Isso é o que eu quero pra mim. Viver a vida e sonhar os sonhos que sempre quis.’ 
- Mas isso não é ser egoísta? 
- Não, Clark. Isso não é egoísmo. É assim que se constrói o futuro.
Diálogo Clark e Marth Kent ( pág. 21) 



 
E os acertos do autor J. Michael Straczynski não pararam nos parágrafos ali de cima, outro ponto que merece destaque foi o tratamento que os coadjuvantes receberam na história. E o jornal Planeta Diário que não foi tratado meramente como o local de trabalho do Superman quando este não está salvando o mundo. O trio composto por Lois Lane, Jimmy Olsen e Perry White tiveram seus traços de personalidades muito bem definidos, cada qual com suas características únicas.

Nas páginas onde ocorrem diálogos entre os jornalistas, Clark chega a passar despercebido, se tornando figurante neste cenário. A profissão é retratada de forma a ser levada muito a sério, o que eleva o nível de realismo.

E assim se encerra o primeiro capítulo da história... a partir  daqui os acertos desaparecem e que deveria ser o clímax de tudo, se torna o erro da história. Um novo vilão é apresentado ao leitor, porém este não é o problema, afinal se trata de ume reformulação da história. Novos personagens podem, e devem ser inseridos, mas somos apresentados a um inimigo tão fraquinho (não de força, claro). Falta empatia, as características são um tanto quanto genéricas e isso abate o enredo. O que deveria ser o grande auge, a primeira aparição do Superman ao mundo, foi ofuscada pela falta de brilhantismo do vilão.

- Então por que você não fugiu? 
- Sou um fotojornalista. Nós não viramos as costas. Nós não fugimos de uma foto.   
- Você e sua laia ficariam e morreriam por uma fotografia? 
- Não... ficaríamos e morreríamos pela verdade. Porque é a única coisa pela qual vale a pena morrer.
Diálogo Jim e Tyrell (pág. 75) 



Houve acertos significativos em Superman – Terra Um, porém tivemos também um grande erro na escolha do vilão. Os novos leitores poderão discordar de mim, afinal o objetivo maior dessa HQ é aumentar o público e é preciso mirar em outras direções quando se quer alcançar algo novo.

Então é preciso que leia para formar sua própria opinião a respeito deste novo caminho que a história do Superman segue a partir de agora. Obviamente há uma continuação dessa trama, que já foi lançado nos EUA, mas como estamos no Brasil... se tivermos sorte, segundo o site¹ da Panini será lançado em 2014 por aqui.

Alguns meses atrás foi lançado o filme Homem de Aço nos cinemas e existe grande similaridades entre esta HQ e o que foi apresentado nas telonas. Leia, assista e compare.


Notas:

1 – Site da Panini: http://hotsitepanini.com.br/dc/publicacao/superman-terra-um/

2 – Filme: http://www.youtube.com/watch?v=NlOF03DUoWc



sábado, 28 de setembro de 2013

Batman- O filho do Demônio




Sinopse: Batman é obrigado a se aliar ao seu maior adversário para deter um terrorista sanguinário e insano que obtém o controle de uma máquina capaz de manipular o clima. Assim, o Cruzado Encapuzado se vê em uma difícil situação, tendo de caçar o sádico criminoso e, ao mesmo tempo, proteger Talia, a mulher que pode estar carregando em seu ventre o filho do Homem-Morcego.


Roteiro:  Mike W. Barr
Arte: Jerry Bingham
Número de páginas: 88 páginas
Editora: DC Comics – Panini Books





Pitacos da Gibiteria:

Todo o desenrolar da história se inicia quando, depois de um roubo numa fábrica de produtos químicos e de um assassinato, Batman se vê obrigado a se aliar ao seu maior inimigo, Ra’s al Ghul, para combater um terrorista, o Qayin.

Ra’s al Ghul tem uma filha, Talia, que é apaixonada pelo Bruce Wayne. Ao sugerir uma união de forças, Ra’s impõe uma única condição: Bruce deve se casar com a sua filha. A partir deste momento, sob o meu ponto de vista, toda a história envolvendo o Qayin e sua máquina com capacidade de controlar a temperatura climática, tornam-se coadjuvantes.

Ao final da leitura, pude constatar que tudo que havia acabado de ler não era, definitivamente, uma das histórias sobre investigação e comprometimento com a justiça, características predominantes no Batman, mas do solitário Bruce Wayne. Claro que, tamanha variação traria pontos positivos (por não dizer, momentos curiosos?) e negativos então vamos lá mencioná-los.

Os pontos negativos são muitos. Mais uma vez, assim como na resenha do Batman Asilo Arkham, houve uma descaracterização do personagem e nada tem haver com a tentativa de humanizá-lo. Primeiro, quando o Ra’s propõem uma aliança e em seguida oferece a mão da Talia, deixando claro que só aceitaria o sim como resposta ou do contrário não haveria acordo algum e então o Batman aceita sem sequer hesitar(?). Nenhum plano estratégico por trás desse “sim”? Poderia ate pensar que existia alguma ironia nesta resposta, porém o Batman não tem como uma das suas “características” o sarcasmo. Segundo, ao aceitar se casar com Talia e no momento seguinte, declara intenso amor dizendo que “nunca houve espaço para outra mulher em sua vida” (Oi?!). E por fim, depois de todo um diálogo pra lá de meloso, “dorme” com a Talia resultando assim no óbvio, sua gravidez. A partir de então, o Batman começa a repensar seus objetivos e abdicar a carreira de combatente do crime.

"Seus olhos se fecham...e toda vez que isso acontece, ele vê seus pais morrerem." "... ou como padeceu, tendo que crescer sozinho... e rejeitou uma vida normal com família e amigos, impulsionado por uma força maior do que ele mesmo." - Batman. 



Batman e Talia.

Os pontos positivos, se assim poderia dizer, temos um batman humano. Casado e futuramente pai de família, romântico e extremamente cuidadoso e obcecado com a gravidez de sua esposa, reflexos do seu trauma não superado no passado ao ter seus pais mortos e desde então levado uma vida solitária. Um verdadeiro choque para quem vem acompanhando a saga do Morcego e ao mesmo tempo curioso também. O roteirista nos apresentou um Batman que, todos nós em algum momento, desejávamos conhecer caso ele levasse uma vida comum como a nossa (“E se ele não fosse rico?”, “E se ele fosse casado?”, “E se ele fosse um pai de família?”, “E se...? Como seria?”).

Finalizando minha linha de raciocínio, não poderia deixar de mencionar, claro, as ilustrações. A arte do Jerry Bingham bem ao estilo década 70/80, trazendo uma anatomia bem realista dos personagens. Consequentemente, encontramos com o Batman ao estilo clássico (Vocês sabem do que estou falando, né? Aquela sunga por cima da calça!).



Bem, comentários a parte, se tu, guria ou guri, és fã do Morcego então digo que a leitura vale a pena. Nada melhor do que lermos e termos nossa própria opinião. Além disso, é interessante ler algo totalmente fora do previsível.  


sábado, 21 de setembro de 2013

Batman- Asilo Arkham: uma séria casa em um sério mundo




Sinopse: Asilo Arkham: Uma séria casa em um sério mundo é um impactante conto de horror psicológico protagonizado por Batman e praticamente todos os internos do Asilo Arkham, o lar dos criminosos insanos de Gotham. Liderados pelo Coringa, esses pacientes  - Duas-Caras, Chapeleiro Louco, Crocodilo, Cara de Barro, Espantalho e muitos outros – dominam as dependências do lugar e tomam como reféns seus empregados. Eles pretendem libertar os pobres funcionários, mas somente se uma condição for cumprida: O Homem-Morcego deve se entregar... e se tornar um deles!

Roteiro: Grant Morrison
Arte: Dave McKean
Número de Páginas:  216
Editora: DC Comics - Panini Books




Pitacos da Gibiteria: 

Falar sobre qualquer história que envolva o Batman diria que é, no mínimo, suspeito embora eu continue afirmando que não gosto do Batman mas sim dos vilões. Quanto à arte do Dave McKean, mais suspeito ainda. Venho acompanhando o trabalho dele e o acho indecentemente genial e nesta graphic novel não seria diferente.

Em Asilo Arkham encontramos a arte do McKean com múltiplas técnicas de ilustração e colagem além de toda a sua expressividade. Muita expressividade! Se tratando do roteiro, Grant Morrison não deixa a desejar, traz uma história carregada de horror, medo, loucura, simbolismos e várias referências.




Toda a trama começa quando o Batman é informado que o Asilo Arkham esta sobre o controle dos internos, chefiados pelo Coringa e este o faz uma exigência: quer o Batman junto com eles e então ter a oportunidade de provar que o Morcego é tão louco quanto todos os vilões. Paralelamente, é narrada a história do Asilo pelo diário do Amadeus Arkham, o fundador.


“Durante o longo período da doença de minha mãe, a casa sempre parecia tão vasta, tão REAL, que, em comparação, eu me sentia um FANTASMA assombrando seus corredores.  Vagamente consciente de que algo podia existir além daquelas melancólicas paredes. Até aquela noite em 1901, quando vislumbrei aquele OUTRO mundo. O mundo no lado negro.”  - Amadeus Arkham.


Batman, cedendo ao pedido do Coringa, comparece na mansão e a partir de então é submetido a alguns testes, que acabam deixando-o afetado. Uma das grandes falhas começa justamente a partir deste momento em diante. Temos um Batman amedrontado e fragilizado diante de seus inimigos mesmo conhecendo todas as suas técnicas e estratégias psicológicas.


“Medo?  Batman não tem medo de nada. Sou eu. É de mim que tenho medo. Medo de que o coringa esteja certo sobre mim. Às vezes, questiono a racionalidade de minhas ações. Tenho medo de que, quando atravessar os portões do asilo... 
...Quando entrar no Arkham e as portas se fecharem atrás de mim... Eu me sinta voltando para casa.” - Batman.


Outra grande falha, para mim a mais grave, se trata da edição brasileira. O letreiro digital comprometeu toda a expressividade da arte do McKean. E mais, se tratando especificamente dos diálogos do Coringa, a leitura chega a se tornar ilegível. Desabafo: tentem imaginar o quanto foi incômodo para uma pessoa com alta miopia ler esta hq durante a noite com um letreiro indecifrável. Isso tornou toda a leitura cansativa e estressante. Em determinados momentos pensei em interromper a leitura e desistir.

Edição Panini: letreiro relacionado ao diálogo do Coringa.

Apesar das falhas já citadas acima, indicaria esta leitura principalmente para os fãs do Morcego. O conjunto da obra é simplesmente admirável. Há um equilíbrio absurdo entre as ilustrações e o roteiro tornando toda a atmosfera mais sombria ainda. Encontramos também uma forte referência ao livro Alice no país das Maravilhas, do Lewis Carroll, onde temos o encontro do Batman com o Chapeleiro Louco nos remetendo uma possível versão de horror do conto infantil.

Por fim, a explicação do que é o Asilo Arkham,  quem foi o podre Amadeus e quais situações e caminhos o levaram para o mundo da loucura. A partir de então, conseguimos compreender toda a complexidade e psicologia não apenas do Arkham e seus internos mas do próprio roteiro mostrando-nos que cada um dos vilões residentes daquele local representa nossos demônios internos e que precisam ser encarados.



“E eu volto às minhas perambulações rituais. Meus movimentos pela casa se tornaram tão formais quanto um balé, e sinto que sou agora parte essencial de algum processo biológico incompreensível. A casa é um organismo faminto por loucura. É o labirinto que sonha.  E eu estou PERDIDO.” - Amadeus