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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Percy Jackson & Os Olimpianos – O Ladrão de Raios



Capas: Ladrão de Raios - Graphic Novel e Livro

Sinopse:


E se os deuses do Olimpo estivessem vivos em pleno século XXI? E se eles ainda se apaixonassem por mortais e tivessem filhos que pudessem se tornar heróis? Segundo a lenda Antiguidade, a maior parte deles, marcados pelo destino, dificilmente passa da adolescência. Poucos conseguem descobrir sua identidade.


Percy Jackson está para ser expulso do colégio interno... de novo. É a sexta vez que isso acontece. Aos doze anos, esta é apenas uma das ameaças que pairam sobre esse garoto, além dos efeitos do transtorno do déficit de atenção, da dislexia... e das criaturas fantásticas e deuses do Monte Olimpo, que, ultimamente, parecem estar saindo dos livros de mitologia grega do colégio para a realidade. E , ao que tudo indica, estão aborrecidos com ele.


Vários acidentes e revelações inexplicáveis afastam Percy de Nova York, sua cidade, e o lançam em um campo de treinamento muito especial, onde é orientado para enfrentar uma missão que envolve humanos diferentes - metade deuses, metade homens - além de seres mitológicos. O raio-mestre de Zeus fora roubado, e é Percy quem deve resgatá-lo.


Com a ajuda de novos amigos - um sátiro e uma filha de uma deusa - Percy tem dez dias para reaver o instrumento de Zeus, que representa a destruição original, e restabelecer a paz no Olimpo. Para conseguir isso, precisará fazer mais que capturar um ladrão. Terá de encarar o pai que o abandonou, resolver um enigma proposto pelo Oráculo e desvendar uma traição mais ameaçadora que a fúria dos deuses.



 
Coleção: Percy Jackson & Os Olimpianos

Eu li, se você não...

Teremos um especial do Ladrão de Raios, uma resenha dupla, falando do Livro e da Graphic Novel. E um extra com comentários sobre o filme também. Então vamos lá, se acomodem bem, porque teremos muito assunto pela frente.

 
Ψ  Livro

Autor: Rick Riordan
Editora:
Intrínseca
Edição: 2 ed.
Número de Páginas :
400
Ano:
2009
ISBN:
978-85-98078-39-7



Este é o primeiro volume da saga, Percy Jackson e Os Olimpianos, composto por um total de cinco livros que contam o surgimento de um novo herói da mitologia grega, porém essa história possui muitas peculiaridades. O autor Rick Riordan conseguiu criar algo completamente diferente do que estamos acostumados a ler sobre os deuses olimpianos e seus filhos semideuses.  Ele os trouxe para perto de nós, que somos meros mortais... aqui os deuses não existiram há milhões de anos atrás, eles existem nos dias de hoje e seus filhos estão entre nós.

O enredo gira em torno de Perseu Jackson, vulgo Percy, que é o narrador da história. Tudo o que vemos e sabemos é exatamente o que o personagem vê, ou melhor, o que ele acha que vê. Percy é um garoto de 12 anos que mora com a mãe e o padrasto em Nova Iorque, porém nem de perto sua vida se parece com um menino normal da sua idade. Problemas como dislexia, imperatividade e déficit de atenção são traços que não passam despercebidos a ninguém. Expulso de seis colégios internos, em um tempo recorde de seis anos, ele ainda não entende o porquê de absolutamente tudo ter que dar errado em sua vida. (Um tanto quanto típico, não?)
           - Este não é o lugar certo para você. Era apenas uma questão de tempo. 
Meus olhos ardiam. 
Ali estava meu professor favorito, na frente da classe, me dizendo que eu não era capaz. Depois de falar o ano todo que acreditava em mim, agora me dizia que eu estava predestinado a ser expulso.


Coleção: Percy Jackson & Os Olimpianos. - Os 5 volumes da história e o extra. 

Logo no início do livro as reviravoltas começam a acontecer e somos levados a ter uma nova visão do mundo. Percy descobre que deuses, monstros, heróis e aventuras não são apenas mitos daqueles contados em suas aulas de história e literatura. Um guardião, no caso o seu amigo Grove, que é um sátiro, leva Percy para acampamento onde há apenas crianças como ele. O acampamento meio-sangue é onde todos os filhos dos deuses são levados para conseguir sobreviver, é nele que nosso futuro herói encontra seus melhores amigos e inimigos.

Após termos sido introduzidos a um novo universo, vamos à trama do livro, onde Zeus tem o seu raio-mestre roubado e o mais novo meio-sangue é acusado de ser o ladrão do raio todo poderoso (sempre sobra pro calouro!). Devido à acusação e para não ser morto, Percy recebe a missão de devolver o artefato desaparecido, mas como nada é tão ruim que não possa piorar, existe um prazo para entrega e uma profecia que não é nem um pouco animadora.
Você irá para o oeste, e irá enfrentar o deus que se tornou desleal. 
Você irá encontrar aquilo que foi roubado, e o verá devolvido em segurança. 
Você será traído por aquele que chama de amigo. 
E, no fim, irá fracassar em salvar aquilo que mais importa.



Tendo como objetivo salvar o planeta de uma Terceira Guerra Mundial, em outros termos, apaziguar uma briguinha entre os deuses olimpianos, Percy deixa o acampamento para cumprir sua missão, mas não sozinho. Grove que é um sátiro em busca de redenção, guardião e amigo do meio-sangue o acompanha nessa jornada. Annabeth Chase, filha de Atena, encontra a oportunidade tão esperada de deixar o acampamento pela primeira vez em cinco anos. Assim o trio se forma e a busca se inicia.

O ritmo da história se torna frenético no momento que os personagens colocam os pés fora do acampamento. Deparamo-nos com monstros diversos, desafios impossíveis e deuses enfurecidos, não havendo pausa para respirar. Além disso, nem tudo que parece ser realimente é o que pensamos. E a jornada se desenrola em novos mistérios, sempre que pensamos encontrar respostas, surgem novas perguntas... perguntas e mais perguntas. Quando percebemos o livro já está no fim e acabamos ansiosos pela continuação (para terem uma ideia, terminei a saga em uma semana), onde um novo mistério surge e abala mais uma vez o mundo que Percy lutou para preservar.  


Capa da Graphic Novel


Ψ Graphic Novel

Autor: Rick Riordan
Direção: Robert Venditti
Arte: Attila Futaki
Cores: José Villarrubia
Editora:
Intrínseca
Número de Páginas :
128 
Ano:
2011



A adaptação do livro para a Graphic Novel foi uma surpresa, muito boa por sinal. A HQ conta com a direção de Robert Venditti, arte de Attila Futaki e é colorido por José Villarrubia. O número de páginas é obviamente reduzido, pois muitos fatos não precisam ser narrados, as imagens transmitem ao leitor a ideia dos cenários, mostram os objetos e características dos personagens. Porém existem trechos da narrativa que foram cortados, afinal é uma adaptação, algumas coisas precisam se adequar. Esses trechos não mudam muita coisa no curso da história, por isso o enredo continua o mesmo, sem grandes alterações no seu desenvolvimento (o que não acontece no filme).

Quando lemos um livro, a nossa imaginação é encarregada de criar o mundo que as palavras descrevem, por isso nunca um leitor verá o mesmo universo que o outro, e pra mim isso faz parte da magia dos livros. Os quadrinhos são diferentes, todos vemos a mesma coisa, e para você que já leu o livro (ou viu o filme) pode estranhar algumas coisas, pois sua ideia não corresponderá exatamente à mesma do desenhista. Quer um exemplo: Imagine a Annabeth, uma garota de doze anos, bonita, loira e de olhos cinza. Certeza que ninguém imaginou a mesma coisa.
Annabeth, Grove e Percy Jackson


A batalha contra o Minotauro

Percy Jackson e o Oráculo de Delfos
A Profecia.
Percy Jackson no Rio Mississipi


Para os fãs de Percy Jackson, vale a pena conferir a Graphic Novel. Uma nova visão da história, que permaneceu bastante fiel ao livro. Sobre a versão do filme, confesso que não me agradou, mas é impossível agradar a gregos e troianos, certo? O filme de certo modo cumpre seu papel, de atrair novos fãs para a saga, mas o enredo é quase que completamente diferente. A ideia central é a mesma, um meio-sangue e seus amigos que tentam salvar o mundo da fúria dos deuses, mas fora isso... a trama percorre um caminho que lembra de longe (mas muito de longe mesmo) o que foi narrado no livro.  Mas! Admito que conheci a Percy Jackson por intermetido do filme, por isso não há como negar que existe um lado positivo.

No fim das contas, o livro vale ou não vale a pena ler? Sim, claro que vale! Só precisamos lembrar que este livro é infanto-juvenil, ou seja, não adianta vê-lo com uma cabeça de 30 anos se ele foi feito para idades entre 14/18 anos.

Boa leitura!







quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Superman - Terra Um - Por J. Michael Straczynski


Legenda: O Homem de Aço para uma nova geração. Você apenas acha que conhece a história...
 

Sinopse:

Clark Kent é diferente. Ele pode voar, ver através das paredes e incinerar objetos com seu olhar. Ele é um deus entre mortais. Mas está sozinho e sem um propósito.

Como a maioria dos jovens de vinte e poucos anos, não sabe o que quer da vida. Pode escolher trabalhar com qualquer coisa: esporte, ciência, finanças ou dentro da mídia. O céu é o limite... se ele esconder seu poder e sua verdadeira identidade do resto do mundo.

Mas quando naves de outros planetas escurecem nosso céu e ameaçam nossa existência na Terra, Clark precisará tomar a decisão mais importante de sua vida: revelar-se ao mundo, sacrificando sua chance de ter uma vida normal... ou deixar todo o planeta a sua volta morrer.


Título: Superman – Terra Um
Roteiro: J. Michael Straczynski
Arte: Shane Davis
Autores Originais: Jerry Siegel e Joe Shuster
Editora: DC Comics – Panini Books





Eu li, se você não...

O Superman é um personagem de HQ mundialmente famoso, ouso até mesmo dizer que o mais conhecido de todos, afinal ele extrapola as esferas dos quadrinhos... Já foram feitos inúmeros filmes, seriados e tirinhas, atingindo um público que vai muito além dos fãs de HQs. Tornou-se um ícone de referencia em diversos sentidos, mas agora resta saber como J. Michael Straczynski e Shane Davis fizeram para reinventar uma história já contada tantas e tantas vezes.


O Homem de Aço já tem pouco mais de seis décadas de história e durante este período o personagem precisou acompanhou a evolução do mundo fora dos quadrinhos. É preciso repaginar os personagens para que estes não fiquem presos ao passado, afinal o que era novo um ano atrás, hoje é ultrapassado.

A tecnologia avança e o que antes era algo futurista se torna comum, a ficção cientifica vira realidade e a moda é diferente a cada estação. (Alguém, por favor, avisa ao Superman que nunca foi moda usar a cueca por cima da calça!) O que resta no final dessas mudanças são os pilares sobre os quais o personagem foi construído, a essência, a índole ou a alma... chame como quiser.

Se eu me expuser ao mundo, se mostrar o que posso fazer... estarei sempre fugindo. Nunca estarei no meio. Estarei sempre de fora, observando. Estarei sozinho. Pior ainda, eu terei escolhido ficar sozinho. Eu não poderia fazer essa escolha antes, mas posso agora. E escolho ser feliz... Ter uma vida, e não era isso que você dizia querer pra mim? Que eu fosse feliz? Só não queria que você achasse que esqueci tudo que me ensinou. Ainda há muito que posso fazer. (...) Dar a mão ao homem comum quando o mundo quiser esmaga-lo. Essas coisas significam agora tanto quanto significavam antes... não vou te decepcionar. Eu juro.
Clark Kent. (pág. 41)

Em Superman – Terra Um, iremos encontrar o Clark Kent de vinte e poucos anos, que saiu de uma cidade pequena para Metrópolis, um jovem como todos os outros que tenta descobrir seu lugar no mundo... o problema é que o mundo dele não é este! Kal-El, nome que os pais biológicos deram ao seu bebê antes envia-lo para Terra, é o único sobrevivente de Krypton... o fim da linha para a raça de um planeta extinto. 

– Ele estará sozinho. Será parecido, mas nunca um deles. 
– Eu sei, Lara. Mas ele será forte. Praticamente indestrutível. E o mais importante... quando já estivermos mortos há muito tempo, ele estará vivo.
 Diálogo Lara e  Jor-El  (pág. 61)
 

Apesar da aparência humana, o Clark é um alienígena, superpoderoso e de inteligência muito mais avançada. E aqui está um dos pontos louváveis explorado nessa HQ, o Superman não é apenas um homem com super-força, seu intelecto está além da compreensão, o personagem também possui uma super-inteligência. Fato que foi esquecido por muitos autores e leitores, porém ressurge nesta nova versão.

Mas quem era Clark Kent antes de se tornar o Superman? Qual era seu objetivo de vida? Este é outro lado mostrado, que particularmente, sempre quis conhecer e vi como ponto positivo no enredo. Por que um jovem com tanto potencial e habilidade nunca usou seus talentos também em benefícios próprios? E não se trata de egoísmo... ninguém chama de egoísta um gênio que tem conhecimento pra salvar milhões, ajudar os outros e ser reconhecido por isso.

Agora temos a chance de ler sobre o mundo de possibilidades profissionais que Clark sentiu o gostinho antes de escolher qual carreira seguir. E o motivo pelo qual optou ser jornalista.

 - Quando você cria um filho grande e forte e ele diz ‘Isso é o que eu queria te dar’... Bem, é legal, mas o que eu quero mesmo ouvir é ‘Isso é o que eu quero pra mim. Viver a vida e sonhar os sonhos que sempre quis.’ 
- Mas isso não é ser egoísta? 
- Não, Clark. Isso não é egoísmo. É assim que se constrói o futuro.
Diálogo Clark e Marth Kent ( pág. 21) 



 
E os acertos do autor J. Michael Straczynski não pararam nos parágrafos ali de cima, outro ponto que merece destaque foi o tratamento que os coadjuvantes receberam na história. E o jornal Planeta Diário que não foi tratado meramente como o local de trabalho do Superman quando este não está salvando o mundo. O trio composto por Lois Lane, Jimmy Olsen e Perry White tiveram seus traços de personalidades muito bem definidos, cada qual com suas características únicas.

Nas páginas onde ocorrem diálogos entre os jornalistas, Clark chega a passar despercebido, se tornando figurante neste cenário. A profissão é retratada de forma a ser levada muito a sério, o que eleva o nível de realismo.

E assim se encerra o primeiro capítulo da história... a partir  daqui os acertos desaparecem e que deveria ser o clímax de tudo, se torna o erro da história. Um novo vilão é apresentado ao leitor, porém este não é o problema, afinal se trata de ume reformulação da história. Novos personagens podem, e devem ser inseridos, mas somos apresentados a um inimigo tão fraquinho (não de força, claro). Falta empatia, as características são um tanto quanto genéricas e isso abate o enredo. O que deveria ser o grande auge, a primeira aparição do Superman ao mundo, foi ofuscada pela falta de brilhantismo do vilão.

- Então por que você não fugiu? 
- Sou um fotojornalista. Nós não viramos as costas. Nós não fugimos de uma foto.   
- Você e sua laia ficariam e morreriam por uma fotografia? 
- Não... ficaríamos e morreríamos pela verdade. Porque é a única coisa pela qual vale a pena morrer.
Diálogo Jim e Tyrell (pág. 75) 



Houve acertos significativos em Superman – Terra Um, porém tivemos também um grande erro na escolha do vilão. Os novos leitores poderão discordar de mim, afinal o objetivo maior dessa HQ é aumentar o público e é preciso mirar em outras direções quando se quer alcançar algo novo.

Então é preciso que leia para formar sua própria opinião a respeito deste novo caminho que a história do Superman segue a partir de agora. Obviamente há uma continuação dessa trama, que já foi lançado nos EUA, mas como estamos no Brasil... se tivermos sorte, segundo o site¹ da Panini será lançado em 2014 por aqui.

Alguns meses atrás foi lançado o filme Homem de Aço nos cinemas e existe grande similaridades entre esta HQ e o que foi apresentado nas telonas. Leia, assista e compare.


Notas:

1 – Site da Panini: http://hotsitepanini.com.br/dc/publicacao/superman-terra-um/

2 – Filme: http://www.youtube.com/watch?v=NlOF03DUoWc



quinta-feira, 19 de setembro de 2013

"Quem é você, Alasca?" - por John Green



Sinopse:

Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras — e está cansado de sua vidinha segura e sem graça em casa. Vai para uma nova escola à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o “Grande Talvez”. Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young. Inteligente, engraçada, problemática e extremamente sensual, Alasca levará Miles para o seu labirinto e o catapultará em direção ao Grande Talvez. "Quem é você, Alasca?" narra de forma brilhante o impacto indelével que uma vida pode ter sobre outra. Este livro incrível marca a chegada de John Green como uma voz importante na ficção contemporânea.

Título: Quem é Você, Alasca?
Título Original: Looking for Alaska
ISBN: 978-85-7827-342-2
Páginas: 229
Autor: John Green
Editora: Martins Fontes





Eu li, se você não... – desta vez direi no começo – Leia!


Quando criamos grandes expectativas, geramos juntamente uma possibilidade de decepção esmagadora. Mergulhamos de cabeça na certeza que encontraremos algo grandioso e profundo, mas algumas vezes batemos de cara em uma pedra, pois não passa de uma poça rasa. E sim, eu mergulhei de cabeça no raso...

“Quem é você, Alasca?” é narrado por Miles, nosso personagem principal, ou quase isso. A história do nosso protagonista não é muito complexa, ele é um nerd que não possui amigos de verdade e têm uma vida pouco interessante morando com os pais. Mas há algo peculiar nesse garoto, Miles Halter coleciona últimas palavras de pessoas importantes. Não importa se são ex-presidentes, artistas ou autores renomados, como também pouco importa as suas obras ou feitos, as bibliografias são seu único interesse. Entre muitas últimas palavras que leu, as de François Rabelais lhe chamou a atenção: “Saio em busca de um Grande Talvez”. O que é uma frase um tanto estranha para quem está prestes a encarar a morte. Motivado por tais palavras, Miles decide mudar de escola a procura do seu próprio Grande Talvez, sem precisar que a morte venha busca-lo. E é esta busca que guia a história.

No colégio interno de Culver Creek, logo em seu primeiro dia, Miles conhece seu colega de quarto e futuro amigo, Chip Martin que tem uma personalidade forte e autoritária, o que faz jus a seu apelido de Coronel. Aquele veterano o ensinaria a sobreviver na escola, mas antes de qualquer coisa apelida Miles de Gordo. O que é uma grande ironia, já que o garoto não passe de um magrelo de shorts largos. Juntos os dois aprenderem na prática o significado da palavra lealdade, sendo provados em situações que nem sempre conseguem entender, mas ainda assim ambos se mantêm firmes e unidos.

“Gordo”, o Coronel disse. “Porque você é magricela. Isso se chama ironia, Gordo. Já ouviu falar? Agora vamos arranjar uns cigarros para começar o ano com o pé direito.”

Ele saiu do quarto, novamente supondo que eu o seguiria, e dessa vez eu o segui. Felizmente, o sol estava baixando no horizonte. Passamos por cinco portas até chegarmos ao Quarto 48, Um quadro-branco tinha sido grudado na porta com fita adesiva. Nele se liam as seguintes palavras em tinta azul: Alasca tem quarto só pra ela!

O Coronel me explicou que (1) aquele era o quarto da Alasca, que (2) a garota que dividia o quarto com ela tinha sido expulsa no final do semestre anterior e que (3) Alasca tinha cigarros, embora o Coronel não tivesse se dado ao trabalho de perguntar se (4) eu fumava, o que (5) não era o caso.

Miles era o personagem principal, ou quase isso, lembram? Alasca protagoniza grande parte da história, apesar de não ser a narradora ou nada assim. Ela é garota pela qual Gordo se apaixona, tornando-se a pivô dos acontecimentos daquele ponto em diante. Divertida, animada e perspicaz, Alasca preenche o enredo com suas ideias, tramas e loucuras. Apaixonada por livros ao ponto de possuir pilhas e mais pilhas entulhadas em seu quarto – batizados por Alasca como a “Biblioteca da Minha Vida” – mesmo que não tenha lido todos. A misteriosa garota também possui uma frase que guia a sua vida. “Como sairei deste labirinto?” por Simón Bolívar no livro O general no seu labirinto. E está é mais uma dúvida que paira sobre a cabeça de Miles... “O que é o labirinto?” Afinal, não se pode escapar de algo que nem mesmo sabemos o que é. Alasca tem tudo para ser uma personagem interessante, porém um segundo ela é encantadora, mas no instante seguinte consegue ser arrogante, indiferente e cruel. Sua instabilidade abala a todos, inclusive o leitor. Uma hora você ama Alasca, na outra você a odeia.
“Sabe quem você ama, Gordo? Você ama a garota que faz você rir, que vê filmes pornográficos e bebe com você. Mas não a garota triste, mal-humorada, maluca.”
E ela tinha razão.
– página 98
 

Juntos formam um trio imbatível – o Gordo, Alasca e o Coronel – as diferenças entre eles, mesmo que muitas vezes discrepante, não conseguem afasta-los. Um convívio de amor e ódio eterno. Só que eu esperava muito mais que apenas um simples romance sobre três amigos do ensino médio que não tinham nada muito interessante pra fazer, por isso estudavam e vez ou outra vadiavam, bebendo, fumando e aprontando. A história que começou morna, esfriou com o tempo... porém em um determinado ponto, tudo deixou de ser monótono, mas não de uma hora para outra. As coisas evoluíram e ganharam rumo, enfim o enredo passou a envolver, ao invés de só empurrar o leitor para frente. As minhas expectativas foram todas frustradas nas primeiras 60/70 páginas e foi então que percebi que havia mergulhado de cabeça cedo demais, porque antes precisava dar alguns passos história adentro para encontrar o grandioso, profundo e principalmente misterioso oceano de “Quem é você, Alasca?”.

          (...)Eu queria tanto me deitar ao lado dela, envolve-la nos meus braços e adormecer. Não queria transar, como nos filmes. Nem mesmo fazer amor. Só queria dormir com ela, no sentindo mais inocente da palavra. Mas eu não tinha coragem. Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu era garoa e ela, um furação. – página 91
   



“Quem é você, Alasca?” é uma história dividida em duas partes, antes e depois, onde se faz uma contagem regressiva começando com cento e trinta e seis dias antes até chegar ao clímax e prosseguir em uma contagem crescente com o dia seguinte. O grande mistério toma forma no último dia, e foi então que percebi que antes é preciso prepara o leitor para aquilo que está por vir. Tudo se torna enigmático, intrigante e um tanto nostálgico. Impossível não se prender a história em busca do Grande Talvez e de como sair do Labirinto. Não posso ir além destes comentários, afinal cabe a você desvendar esse mistério.



  “O labirinto é uma droga, mas eu o escolho.” – página 222.    


Leia e responda se puder: “Quem é você, Alasca?”





quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Daytripper - por Fábio Moon e Gabriel Bá




Sinopse:

Conheça Brás de Oliveira Domingos. Milagroso filho de um mundialmente famoso escritor brasileiro, Brás passa os dias escrevendo obituários e as noites sonhando em se tornar um autor de sucesso – ele escreve o fim da história de outras pessoas enquanto a sua própria mal começou. 

Mas, no dia que sua vida começar, ele será capaz de perceber? Ela começará aos 21, quando ele conhece a garota dos seus sonhos? Ou aos 11, quando dá seu primeiro beijo? É mais adiante na vida, quando seu primeiro filho nasce? Ou antes, quando pode ter encontrado a sua voz como escritor? Cada dia na vida de Brás é como a página de um livro. 

Cada um deles revela as pessoas e coisas que o fizeram ser quem é: sua mãe e seu pai, seu filho e seu melhor amigo, seu primeiro amor e o amor da sua vida. E, como em todas as grandes histórias, seus dias têm uma reviravolta que ele nunca antecipou.


Título: Daytripper
Número de Páginas: 250
Autores/Artistas: Fábio Moon e Gabriel Bá
Cores: Dave Stewart
Editora: Vertigo – Panini Books 

 


Eu li, se você não...

Daytripper é um quadrinho que se equilibra na corda-bamba entre a vida e a morte, onde todos os dias podem ser o último de Brás de Oliveira Domingos. Uma história envolvente, com traços tão marcantes que muitas vezes dispensa palavras e o silêncio de uma cena fala por si só. Mas por outro lado, nenhuma linha é escrita apenas para compor as páginas de belas imagens. Os criadores desta obra conseguiram uma combinação fascinante e surpreendente que transborda sentimento como não via faz tempo.

A história é composta por 10 capítulos onde cada um deles representa uma fase da vida de Brás, porém não há ordem cronológica. Hora nosso protagonista tem 32 anos e escreve o obituário de um jornal qualquer, enquanto seu pai recebe prêmios por ser um autor renomado no dia do esquecido aniversário de seu filho. No próximo capítulo ele pode ter apenas 11 anos, brincar de pega-pega com os primos, aproveitar a família e conhecer o gosto do primeiro beijo. Mas então no capítulo seguinte Brás tem 21 anos e está em Salvador com o seu melhor amigo aproveitando o mar e os encantos de uma misteriosa mulher. Essa história não é como um rio, que segue apenas um curso, sem nunca poder voltar a sua nascente. Brás renasce a cada nova experiência, mas para nascer de novo, primeiro é preciso morrer. 

“As pessoas morrem todos os dias. Este foi o pensamento mais reconfortante que Brás teve enquanto todos os obituários que escrevera para o jornal passavam diante de seus olhos. Ele acabou de perceber que, mesmo quando não está escrevendo sobre isso... as pessoas vão continuar morrendo. Não é engraçado como as pessoas esquecem do trabalho assim que encerram o expediente? Não é estranho como parece que nós sempre lembramos das coisas mais triviais do nosso cotidiano e acabamos esquecendo das mais importantes?” 

 Sim, o nosso protagonista morre... e algumas vezes. O impacto da morte pode ser perturbador no começo, chegando a confundi o leitor que está acostumado com a velha história de “o mocinho não pode morrer nunca”. Daytripper prova que os mocinhos podem sim morrer! E ainda vai além... afinal, por que partir uma única vez quando esbarramos com a morte todos os dias? Porém a morte não é o ponto final dessa história, ela é o ponto de interrogação sobre como vivemos nossas vidas.

“Eu queria escrever sobra a vida, Jorge, e olha pra mim agora... eu só escrevo sobre a morte.” 


Os dias de Brás não são perfeitos e é isso que o torna um personagem tão humano. Ele poderia ser o seu vizinho, um amigo, talvez teu parente, ou um pouco mais que isso... ele poderia ser você. Daytripper expõe em suas páginas a rotina de todos nós: O acordar cedo e tomar um café pra poder começar o dia. Ir trabalhar mesmo que aquele não seja o emprego dos sonhos. Ficar de papo-furado com seu melhor-amigo quando o dia está um tédio. Estar com alguém que acreditamos ser o amor da nossa vida, mas nunca sabemos se realmente é. Essa é a vida de Brás e com certeza parte da tua. A história faz você se sentir em casa, não apenas pelas semelhanças do dia-a-dia, mas também por ser um quadrinho que se passa não em Nova Iorque, Londres ou Paris – nada contra nenhum desses lugares, na verdade admiro cada um dos que citei – entretanto, vai ler sobre o Rio de Janeiro, Salvador e irá se reconhecer na cultura e no ‘jeitinho’ brasileiro de ser. Na minha opinião, os autores foram capazes de criar um laço incrível entre o personagem e o leitor, mesclando fantasia e realidade ao ponto do limite entre elas desaparecer. 


Daytripper não é um relato de como Brás poderia ter morrido, mas sim dos momentos –simples e grandiosos – que ele viveu. Essa história com certeza irá fazer com que coloque na balança o peso do quanto tem aproveitado todos os dias, ou o quanto tem deixado passar sem perceber que justo aquele poderia ser o momento que talvez te marcasse pra sempre.



 “A vida é feita desses momentos, filho. Os relacionamentos se baseiam nesses momentos, nessas escolhas, nesses atos... e é esse momento que vou levar comigo depois que todos desaparecerem – o que vai fazer todos os outros valerem a pena.” 



E se depois de tudo isso ainda têm alguma dúvida, vou sana-la agora. 
Eu li, se você não... Leia!